A peça, que estreia no dia 07 de outubro de 2026 às 20h, no Teatro Glaucio Gill, joga luz sobre o abuso psicológico e sua eventual “invisibilidade” nas relações. O espetáculo percorre as diferentes etapas de uma relação que, gradualmente, revela mecanismos de controle, ciúme, manipulação e desqualificação. A montagem convida o público a reconhecer sinais frequentemente minimizados e comportamentos, de certa forma, ainda tolerados pela sociedade.
A violência nas relações – mais frequente contra a mulher, mas possível em qualquer relação entre duas pessoas – ainda é uma enorme pedra no sapato da sociedade, reforçada pela ascensão da extrema direita, que exalta o patriarcado, reforça os preconceitos de gênero e tenta minimizar a gravidade do fenômeno. Tudo pode se tornar ainda mais difícil de combater quando “invisível” – nem toda violência cometida é visível a olho nu. Há o abuso psicológico, ainda mais passível de ser invisibilizado. É sobre este fenômeno coberto por uma espécie de névoa de que fala a peça Todos os Amores Menos Aquele – um relato dramatizado.
Um comentário em momento estratégico, uma invalidação do sentimento alheio, tudo tem nome hoje: gaslithing, mansplaining e outros horrores “silenciosos” cometidos e camuflados de cuidado e proteção. O que começa sem ação física pode sim chegar às vias de fato e à fatalidade.
A atriz e autora Marciah Luna Cabral partiu de uma experiência pessoal para este texto de autoficção que joga uma lente de aumento sobre o tema. Mas sua visão traz junto também o otimismo e fala da capacidade de libertação e reinvenção
A atriz se divide em MULHER, ela própria quando jovem e vítima do abuso, e NARRADORA, ela no presente, contando, em relação direta com o público, sua experiência. Quadros do cotidiano se sucedem apresentando situações de crescente abuso psicológico de um homem sobre uma mulher, que duvida da própria percepção dos fatos, enquanto eles escalam até que não seja mais possível não enxergar.
A concepção prevê quatro personagens: MULHER e NARRADORA, vividas por Márciah Luna Cabral; NINA, uma espécie de subconsciente ou intuição, representado por um manequim; e o TECLADO, quarta presença – alma da peça e da MULHER. A atriz interage com estes elementos e com um suposto parceiro – namorado, marido – que o público não vê fisicamente.
O conceito da peça foi construído numa viagem entre o consciente e o inconsciente de uma mulher enredada nas teias do comportamento de um homem narcisista. Assim, através do fluxo de dezenas de camisas socias masculinas em cena e de um grande círculo de luz, por exemplo, temos uma metáfora para o domínio e o encarceramento. Essa metáfora traz, também, a forte ambiguidade entre onipresença e ausência, não apenas do homem, mas da própria mulher, cuja identidade vai sendo diluída na trajetória desse encontro (nos silêncios, num ciclo perturbador, na paralisia). Aliás, também colocar o piano em cena, foi uma maneira de sustentar, com música, aquilo que a Mulher não diz, explica o diretor, Rogerio Fanju.
Em cena, alguns poucos objetos como o manequim e o teclado tocado pela atriz, que permeia as ações com canções originais de sua autoria que ajudam a contar a história. Camisas sociais masculinas vão sendo introduzidas em cena à medida em que a ação avança, cada uma delas simbolizando um estágio ou aspecto do abuso.
Junto com a estreis da peça, será laçado o livro com a dramaturgia. O prefácio é da psicanalista clínica Patricia Serfaty, pesquisadora em Violências e Subjetividades, Pós-doutoranda, Doutora e Mestra pela UFRJ.
Ficha Técnica
Texto, Músicas Originais, Arranjos: Márciah Luna Cabral
Direção Geral: Rogério Fanju
Atuação: Márciah Luna Cabral
Direção de Movimento: Camila Fersi
Cenário: Dóris Rollemberg
Figurino: Ananda Almeida
Iluminação: Paulo César Medeiros
Músicas Originais e Arranjos: Márciah Luna Cabral
Trilha Sonora: Márciah Luna Cabral e Rogerio Fanju
Gravação da Trilha: estúdio de Edu Morelembaum
Patrocínio: Ministério da Cultura, Grupo IN PRESS, Via Pajuçara
Apoio: Cena Criativa WEAR
Produção Executiva: José Leon Zylbersztajn
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
Ficha Técnica
Estreia: dia 07 de outubro (4ªf), às 20h
Onde: Teatro Glaucio Gill – Praça Cardeal Arcoverde s/nº, Copacabana / RJ
Horários: às 4ªf, às 20h
Ingressos: R$60 e R$30 (meia) em https://funarj.eleventickets.com/ e na bilheteria de 2ª a 6ª das16h às 21h, sab e dom das 15h às 21h
Capacidade: 104 espectadores
Duração: 55 min
Gênero: drama
Classificação: 16 anos
Acessibilidade: sim
Temporada: até 28 de outubro

