Em cartaz no Teatro Firjan SESI CENTRO, no Rio de Janeiro, até domingo, dia 14 de setembro de 2025, às 18h, Terminal de Gustavo Vaz, reafirma a potente escrita cênica do diretor Cesar Augusto, na encenação teatral brasileira.

Um dos mais profícuos e atuantes membros da consagrada Cia dos Atores; Cesar iniciou a sua jornada, em paralelo aos hiatos de realizações da Cia dos Atores, dando mais ênfase ao seu lado produtivo e curatorial em festivais e residências. Foi assim, no desenvolvimento do espaço Galpão Gamboa, e em seguida, na manutenção, até os dias de hoje, da chama viva do legado da Cia dos Atores, através da sede da Cia dos Atores, na Escada Selarón, em Santa Teresa, ao lado da Lapa. Um espaço de referência ao teatro contemporâneo carioca, e brasileiro.  

Após uma grande atuação como Julius Caesar em Julius Caesar- Vidas Paralelas (projeto que comemorou os 35 anos da Cia dos Atores, em 2023 -, e que foi escrita e dirigida por Gustavo Gasparani -o outro ator da Cia que enveredou com muito sucesso na direção-); Cesar dirige este novo projeto que atravessa três planos, em três situações de vidas paralelas: plano um- o desejo dos atores Gustavo Vaz e Kelzy Ecard de voltarem a trabalhar juntos, depois do emblemático Tom na Fazenda, onde fizeram mãe e filho; plano dois- as personagens dos amantes que estão em conflito depois do término da relação, e plano três- uma mãe e um filho, em uma relação recheada de conflitos, tensões, surpresas e reviravoltas.  

O texto, de Gustavo Vaz, segue uma trama simplista sobre verdade, mentira e fake news, e apresenta o seu ápice, na construção das boas transições da trama, que mistura de forma orgânica, os assuntos abordados entre os mundos vividos. Além de nos deixar a verdadeira impressão de que fatos da peça, dentro da peça – o metateatro-, são situações vividas pelas personagens do casal, que se misturam de forma desordenada, entre os tempos e os espaços. Onde muitos dos textos da peça teatral sobre uma mãe e um filho, falam bem mais, ou também, sobre a relação do casal. 

A direção de Cesar Augusto transborda, tanto para além dos gêneros de teatro e cinema, como também para a fronteira de palco, plateia e hall de entrada. Ampliando assim os múltiplos olhares da cena contemporânea, onde cria um diálogo cinematográfico e teatral, entre o presente, e “o aqui e o agora”. Que apesar de acontecer quase que simultaneamente, em imagens filmadas e imagens vividas; representam as várias camadas em que se dividem a realidade e a ficção, o tempo e o espaço, e o passado, o presente e o futuro.  

Além de criar momentos memoráveis e poéticos, como o da chuva de borrifadores, a explosão dos amantes – em planos distintos, de altura, ângulo e enquadramento, e de palco e plateia -, e dos refletores Moving Head, que dão um pequeno passeio pelo teatro, durante uma cena musical.  

A iluminação sóbria de Adriana Ortiz, para um espaço de ensaio e vivências, define com clareza, o uso de luzes brancas, os recortes espaciais, e o uso pontual de refletor nobre. Acompanhando também a sobriedade da encenação, os figurinos e os cenários minimalistas de Mauro Leite, e Doris Rollemberg, e a trilha sonora de André Poyart. 

No elenco, Kelzy Ecard, cumpre muito bem a função de transitar pelos mundos de suas três personagens (ela mesma, a mulher e a mãe); onde conseguimos ver, de forma sutil e precisa, cada uma de suas transições; e onde conseguimos enxergar bem a distinção, as nuances, e as filigranas, entre a personagem da atriz, e a personagem que representa a mãe. Gustavo Vaz apresenta uma atuação, onde vemos mais claramente, a construção de sua personagem pelas ações físicas, e através dos desenhos de suas partituras corporais.  

Terminal é um espetáculo que merece ser visto, e apreciado, pois traz para o centro da cena, o melhor de nossa investigação teatral, liderados pela grife de um diretor, que conhece como poucos os desafios de ser ator e de se estar em cena, em expressão múltipla. 

Fotografia Nil Caniné

Ficha Técnica

Idealização: Gustavo Vaz e Kelzy Ecard

Texto: Gustavo Vaz

Direção: Cesar Augusto

Elenco: Kelzy Ecard e Gustavo Vaz

Cenário: Doris Rollemberg

Iluminação: Adriana Ortiz

Figurino: Mauro Leite

Trilha Sonora: André Poyart

Direção de Movimento: Toni Rodrigues

Assistência de direção: João Gofman

Vídeos: Renato Krueger

Programação Visual: Pat Cividanes

Fotografia: Nil Caniné

Mídias Sociais: CulturaLAB

Produção Executiva: Bárbara Montes Claros

Produção: Celso Lemos

Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – Stella Stephany e João Pontes

Serviço

Local: Teatro Firjan SESI CENTRO – Av. Graça Aranha, nº 1, Centro- RJ   Tel: (21) 2563-4163

Horários: 5ª f e 6ª f às 19h, sáb e dom às 18h 

Ingressos: R$40 e R$20 (meia) em https://bileto.sympla.com.br/event/108395 ou na bilheteria de 2ª a 6ªf, das 12h às 19h, sáb e dom 2h antes do início da apresentação

Capacidade: 338 espectadores

Duração: 80 min.

Gênero: drama 

Classificação: 16 anos

Temporada: até 14 de setembro de 2025

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